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Imagine colocar em duas ou três folhas de papel tudo de importante que você fez na sua vida profissional e na sua trajetória escolar? Parece difícil, e é mesmo. Um currículo pode definir se você será ou não contratado. Ele pode gerar boas oportunidades de contato com as empresas ou simplesmente fechar essas portas.
Vamos direto ao assunto: como deve ser um currículo?
Pra começar, deve ter no máximo três folhas. O papel pode ser branco ou de cores suaves. As letras devem ser padronizadas, sem negritos e sublinhados em exagero. Isso passa a impressão de uma pessoa organizada. Relate apenas aquilo em que você realmente é bom em frase curtas, de, no máximo, três linhas. Coloque a identificação básica: nome, endereço, telefone, estado civil, tudo sem abreviaturas. O objetivo profissional buscado deve ser colocado de forma resumida, assim como o histórico escolar.
E uma outra dica importante: faça o currículo valorizando mais ou menos os seus dados de acordo com o perfil da empresa pra qual você vai mandar.
Ticiara Arruda, uma jovem de 24 anos, formada em gestão de empresas, faz currículos de graça nas horas vagas e acabou virando uma especialista. Ela já ajudou mais de 200 pessoas e ainda dá dicas pra quem quer fazer o próprio currículo em casa.
“Para ter um bom currículo, precisa ser uma impressão original, a foto 3x4, não colocar uma foto de book, foto que você foi numa festa, você cortou o seu rosto e colou lá. Quando você vai deixar o currículo pessoalmente na empresa, ir sempre bem aparentável, cabelo bem arrumado pras meninas, uma maquiagem nos tons pastéis. Para os homens, eu recomendo uma calça social, uma blusa social que não seja estampada, que não seja listrada”, disse Ticiara.
Tão importante como saber o que fazer é saber o que não fazer. Nunca junte cartas de referência ou certificados de conclusão. Não informe pretensão salarial ou o último salário. Erros de português, nem pensar. Desenhos também não.
Não dê informações genéricas, por exemplo: tenho bastante experiência. Seja mais específico – prefira: tenho cinco anos de experiência, por exemplo. Não escreva números por extenso, a não ser nas datas. E uma última dica: nunca minta.
“Isso num processo de seleção, numa entrevista, você checa. E se você não descobre nesse momento você descobre em outro momento. Isso é antiético, inclusive pra carreira desse profissional é muito ruim. Já está começando totalmente errado. Então a pessoa tem que ser verdadeira e ela tem que buscar as alternativas que são compatíveis com seu perfil”, disse a gerente de RH Valéria Riccomini.
Nos últimos 10 anos, os americanos passaram a mentir mais, nos currículos. Uma pesquisa recente encontrou informações falsas em 43% dos documentos analisados. Já existe até uma indústria que fatura US$ 2 bilhões por ano, para investigar se os currículos são verdadeiros.
Richard Lipstein é diretor de uma das maiores agências de recrutamento do mundo. Ele diz que os profissionais mais experientes e os que estão apenas entrando no mercado de trabalho andam exagerando na mesma proporção. E aconselha: nunca minta a respeito da sua escolaridade ou das suas habilidades. “Hoje em dia, com a data de nascimento e número de CPF, é possível descobrir tudo sobre a vida de uma pessoa", ele diz.
Você viu que, além das suas competências, a maneira como você faz o currículo também é importante. E depois de pronto, enviado, vamos torcer. Aprovado, o próximo passo é ser chamado para uma entrevista individual e para a dinâmica de grupo. E é isso que você vai ver na próxima segunda-feira, no quadro “Mercado de trabalho”.
Fonte: (www.globo.com/jornalhoje)
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